“Tem uma coisa na minha vida que eu sempre bato de frente. É o fato de que na maioria das situações eu me dou conta de que a única pessoa que cuidaria bem de mim, que me amaria sem me trair ou sentir vontade de ir embora, que me protegeria e me faria sentir completa, sou eu. Eu tenho a sufocante sensação de que ninguém vai fazer por mim o tanto que eu faço pelo resto do universo. E sei que no fundo isso é inteiramente verdade. No fundo a gente sabe que ninguém vai fazer melhor pela gente que nós mesmos, porque eles não sentem como nós. Eles não vivenciam os acontecimentos ao seu redor como nós vivenciamos. A gente é sensível ao mundo e aos seus diversos tons. Saramago nos descreve: “Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara”. Esse somos nós. Somos os olhos do mundo. Reparamos em cada detalhe, porque sentimentos que tudo merece ter o seu reconhecimento. A gente ama com a mesma fome que as estrelas têm da escuridão. A gente sente com o mesmo carinho com que o universo envolve nossos sonhos. A gente se entrega com a ternura de quem acredita que se render é o mínimo que podemos fazer em nome de algo que vai nos salvar e nos manter protegidos talvez para o resto de nossas vidas. E por isso nos tornamos sós. E enjoamos das pessoas ao nosso redor. E ficar em casa parece ser a única forma de nos protegermos do resto do mundo. Porque se há algo que as pessoas são campeãs em fazer é machucar as outras. A gente machuca por querer e por não querer. Por dizer e não dizer. Por sentir e não sentir. A gente machuca porque parece que é única forma de demonstrar o que sentimos. Causar dor se tornou a forma que a pessoas elegeram como justificativa para demonstrar o que sentem. Nós conhecemos os ditados. Faça o bem, que receberá o dobro em troca. Dê amor que o universo fará o mesmo por você. Cuida das pessoas ao seu redor que você também será cuidado. Sempre com a mesma pressuposição de que tudo que fizemos nós trará depois algum tipo de beneficio. A gente se agarra isso, e faz o que tem que fazer porque é o certo. O politicamente correto. O que nos faz ficar com a imagem de bom moço. E não porque isso vem do coração. Porque a humanidade pesa em nossos olhos. Porque a gente tem a capacidade de se comover com as coisas que tocam a nossa pele e transformam o nosso corpo. A solidão é o mal de quem vive a vida intensamente. Ficamos sós pra nos amar melhor. Pra nos cuidar melhor. Pra sentirmos um pouco mais de ternura. Pra constatar que ainda resta algo dentro da gente que sente orgulho de quem somos. Pra fazer melhor do que aqueles que passaram por nossa vida e não elevaram a nossa alma. Que alugaram o nosso melhor pra sentirem que podem ser melhores também. E que foram embora sem reconhecer que salvamos suas vidas. Eu queria poder dizer que isso melhora. E que se a gente continuar tendo fé à vista da fresta de nossas janelas será mais bonita. Mas eu não posso confirmar que isso irá acontecer e minha credibilidade a cada dia se torna mais escassa. Eu sinto apenas que devo continuar. Esperando muito pouco de quem decide caminhar comigo. Mas com a certeza que eles podem esperar muito de mim. Eu vou me tornar uma pessoa incrível. E tenho certeza que vocês também. Mesmo que ninguém esteja olhando para a pessoa extraordinária que você é eu e o universo sabemos disso. E nos sentimos orgulhos ao ver que a fé que a gente sente parte da sua luz que ilumina e muda o nosso mundo.”
KEHL, Luisa.   (via vestigiar)
“A inércia é o meu ato principal.”
Manoel de Barros  (via reincarnando)
“Ninguém ajudou. Me virei sozinho.”
Caio Fernando Abreu  (via requiz)

Tu percebe o perigo a partir do momento que ta falando com a pessoa todo dia e ta gostando!


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